Círculo Monárquico de Brasília Dom Pedro II


Dom João VI, Rei do Reino de Portugal, Brasil e Algarves. Gravura colorida, 1817. Corpo inteiro, fardado e condecorado. Mão esquerda sobre punho da espada. Coroa e cetro à direita.



Escrito por Marcelo às 19h19
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Dom João VI, Rei de Portugal e Imperador Honorário do Brasil.

O segundo filho da rainha de Portugal, dona Maria I, Princesa do Brasil, com seu tio-marido dom Pedro III foi dom João Maria José Francisco Xavier de Paula Luis Antonio Domingos Rafael. Em 13 de maio de 1767, no Palácio Real da Ajuda, próximo a Lisboa, nasceu aquele que seria um dia dom João VI, tendo por padrinho de batismo o rei da França, Luís XV. Com a morte prematura de seu irmão mais velho, Dom José (1788), passou à sucessão direta do trono português.

Aos 18 anos casou-se com dona Carlota Joaquina, de 10 anos, filha do rei Carlos IV de Espanha. No conturbado casamento foram gerados nove filhos, entre eles dom Pedro e dom Miguel, respectivamente soberanos no Brasil e em Portugal.

A doença mental da rainha Maria I levou-o, em 15 de julho de 1799, ao título de Príncipe Regente, após sete anos de governo como herdeiro da Coroa. Ao saber que as tropas francesas, comandadas pelo General Junot, avançavam pelo interior de Portugal, tomou a decisão de trazer para o Brasil, em 1807, a capital do reino. A resolução da transferência da corte para o Brasil manteve intacto o poder soberano dos Braganças, evitando que ocorresse em Portugal o mesmo que na Espanha e em outros reinos, onde os governantes foram feitos reféns do imperador Napoleão. Dom João punha em prática um plano já arquitetado pelo Marquês de Pombal 50 anos antes.

É difícil saber ao certo quantas pessoas aportaram em Salvador e no Rio de Janeiro". A esquadra, composta de 8 naus, 3 fragatas, 2 briques, uma escuna e uma charrua de mantimentos, além de 21 navios comerciais, trouxe a família real, ministros, auxiliares, a corte e tudo que puderam organizar nos dois meses que antecederam a partida de Lisboa para o Brasil. Na Bahia chegaram a 23 de janeiro de 1808, onde permaneceram por quase um mês. A estada foi marcada pela assinatura, em 28 de janeiro, da carta régia que determinava a abertura dos portos brasileiros ao comércio exterior. Em 7 de março de 1808 ancoravam na Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, onde permaneceram até 26 de abril de 1821. Iniciava-se uma nova fase na história do Brasil e de Portugal.

A abertura dos portos, o livre comércio, a introdução de hábitos culturais e industriais, a criação de importantes instituições como a Imprensa Régia, a Real Junta de Comércio, e as Academias modificaram definitivamente o perfil do país colônia, com a introdução de novas forças sociais.

A presença da corte portuguesa no Rio de Janeiro alterou o panorama do cotidiano da cidade que expandiu o traçado urbano, introduziu novos estilos arquitetônicos e apresentou à sociedade uma maneira cosmopolita de viver. Entre saraus, festas, apresentações teatrais, efervescia a vida política, social e cultural. De 1808 a 1821 foram recriadas na colônia americana as instituições portuguesas que permitiram o funcionamento do Estado português, confirmando a citação de Oliveira Lima que "o regente e rei D. João VI veio criar e realmente fundou na América, um império".

Em 1820 eclodiu, no Porto, a revolução liberal que provocou o regresso da Corte em 1821. Dom João VI governou até sua morte no dia 10 de março de 1826, com quase 59 anos. Terminava um reinado repleto de complexos problemas pessoais e governamentais. Ao regressar a Portugal deixou no Brasil seu filho Pedro, que no ano seguinte proclamaria a independência da Colônia.

Dom João VI, o rei que amou o Brasil e lançou as bases para emancipação política brasileira é pouco conhecido de uns e mal compreendido por outros. O marquês de Caravelas, em 1826, discursando no Senado por ocasião da morte do Rei disse: nós todos que aqui estamos temos muitas razões para nos lembrarmos da memória de dom João VI, todos lhe devemos ser gratos, pelos benefícios que nos fez: elevou o Brasil a reino, procurou por todos o seu bem, tratou-nos sempre com muito carinho e todos os brasileiros lhe são obrigados".



Escrito por Marcelo às 19h02
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Retrato de Dona Carlota Joaquina de Bourbon, Princesa de Espanha, Rainha de Portugal e Imperatriz Honorária do Brasil, 1785, aos 10 anos.



Escrito por Marcelo às 18h24
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Dona Carlota Joaquina de Bourbon – Princesa de Espanha, Rainha de Portugal e Imperatriz honorária do Brasil.

Nasceu em Aranjuez, Espanha a 25 de Abril de 1775; faleceu em Queluz, Portugal a 7 de Janeiro de 1830. Era filha primogênita do rei Carlos IV de Espanha e da rainha sua mulher; D. Maria Luísa Teresa de Bourbon. Tendo apenas 10 anos de idade, casou em 8 de Maio de 1785 com o príncipe D. João, filho de D. Maria I, o qual, em 1788, por morte de seu irmão primogênito D. José, foi declarado príncipe herdeiro, sendo mais tarde regente do reino, pela interdição de sua mãe, e finalmente rei de Portugal, com o nome de D. João VI. Dona Carlota Joaquina passava geralmente por ser de ânimo perspicaz e de dotes elevados de espírito, porém, as suas qualidades morais não mereceram igual apreço. Ambiciosa, violenta, pretendeu logo dominar a vontade de seu marido, e dirigi-lo nos negócios internos e nos do Estado. Não se submetendo o regente, começou D. Carlota a olhá-lo com desprezo e desdém, convertendo o lar doméstico em continua luta, cujos menores incidentes eram discutidos e comentados nas praças públicas. 

Dona Carlota dispôs as coisas de forma, que criou um partido seu, e em 1805 divulgou-se que o regente descobrira uma conspiração tramada contra ele por sua própria esposa. Dizia-se que ela, tendo a seu lado vários nobres e eclesiásticos, projetava tirar o governo a seu marido, e prende-lo, declarando-o incapaz de gerir os negócios públicos. O conde de Vila Verde dispunha-se a abrir uma devassa e castigar os criminosos, porém o regente, desejando evitar maior escândalo, não consentiu, limitando-se se separar de sua mulher, dando-lhe para residência o palácio de Queluz, onde antes viviam juntos, passando ele a residir em Mafra, e a exilar alguns fidalgos que mais se manifestavam afetos à princesa. A desgraçada situação a que chegou Portugal, em 1807, fez com que os dois esposos se reunissem por algum tempo, e a esquadra, que em Novembro deste ano conduziu o príncipe regente e D. Maria I ao Brasil, levava também a seu bordo a astuciosa princesa. No Rio de Janeiro continuaram vivendo separados, cada um em seu palácio, reunindo-se apenas, quando eram obrigados a comparecer nalguma solenidade pública. Dona Carlota Joaquina é que se não resignava à inação política a que se via condenada, decidida, como estava, a dominar como soberana; e começando a lavrar no Rio da Prata os primeiros sintomas de emancipação, concebeu o projeto de levantar para si um trono nas províncias espanholas da América, ou pelo menos, de governar como regente em nome de seu irmão Fernando VII. Auxiliada pelo vice-almirante inglês Sydney Smith, e não encontrando oposição em seu marido, foram enviados agentes ao Rio da Prata, onde formaram um grande partido. As intrigas principiaram então a desenvolver-se mais cruéis e enredadoras. O ministro inglês, lorde Strangford, insinuou a D. João que o vice-almirante lhe desonrava o tálamo conjugal. D. João pediu logo para Londres transferência do vice-almirante. Satisfeito o seu pedido, Sydney Smith retirou-se, vindo substitui-lo o almirante de Courcy. No, entretanto, as divergências eram enormes. No próprio governo havia correntes muito opostas. D. João, cada vez mais abatido e com medo da mulher, pedia que não a contrariassem sempre que as suas exigências não fossem impossíveis de satisfazer. Anulados afinal os planos da rainha, nem assim ela esmoreceu. Procurou ser agradável aos castelhanos, e conseguir, na falta de seu pai e irmão, prisioneiros em Franca, ser nomeada regente de Espanha, e vir talvez a ser a herdeira de Carlos IV, abolindo-se a lei sálica que vigorava na monarquia. Para realizar o seu projeto, teve de sustentar uma acerba luta com o embaixador inglês, tendo a astúcia de alcançar que o governo da regência lhe permitisse enviar secretamente ao general Elio, que estava em Montevidéu, víveres e dinheiro, para o que não hesitou em vender as suas próprias jóias. Afinal, e visto não ser possível narrar detidamente as variadas peripécias desta luta de orgulhos e de ambições, o sonho que tanto seduzira D. Carlota Joaquina dissipou-se. Viveu alguns anos afastada da política, sempre separada de seu marido, que então, já havia sido aclamado rei, por ter falecido D. Maria I em 1816, até que a revolução do Porto em 1820, que trouxe para a Europa a família real, pôs novamente em evidência a rainha, reunindo algum tempo os dois esposos. 

Aliada aos frades, aos nobres, aos que se mostravam pouco simpáticos ao novo regime, urdia a conspiração chamada da rua Formosa, destinada a obrigar o rei a abdicar e a destruir a Constituição. Falhando esse plano, as cortes de 15 de Maio de 1822 decidiram deportar a rainha para o palácio do Ramalhão, por ela se recusar a jurar a Constituição, alvitre que ela aceitou com júbilo, pois lhe permitia continuar a sua obra perturbadora. Neste retiro tramou ainda a queda da Constituição; e servindo-se do infante D. Miguel, que ela educara, e com quem vivia intimamente, conseguiu realizar o movimento conhecido por Vilafrancada (V. este nome) em 26 do referido mês de Maio. Derrubada a Constituição e dissolvidas às cortes, foi levantado o desterro da rainha, e o próprio D. João VI a foi buscar a quinta do Ramalhão, conduzindo-a ao paço da Bemposta. Pouco tempo, porém, durou a harmonia entre os dois esposos, porque a rainha mudou a sua residência para Queluz, e tornou-se cabeça do partido absolutista que dentro em pouco promoveu a Abrilada (V. este nome) a 30 de Abril de 1824. Tendo a rainha tomado parte ativa e manifesta nesse movimento, quando D. João VI, apoiado nos embaixadores francês e inglês, se decidiu a mandar sair do reino o infante D. Miguel, ordenou que sua mulher se recolhesse ao paço de Queluz, e nunca mais aparecesse na corte. A 10 de Março de 18211 faleceu D. João VI, tendo previamente nomeado uma regência presidida por sua filha, a infanta D. Isabel Maria, e composta do cardeal patriarca, duque de Cadaval, marquês de Valada, conde dos Arcos e os seus ministros de Estado. D. Carlota Joaquina durante o governo de D. Miguel, que se seguiu, auxiliou-o quanto pôde, vindo a falecer pouco tempo depois. 

Instituiu uma ordem exclusivamente destinada às senhoras, com a autorização do príncipe regente, seu marido, por decreto de 4 de Novembro de 1801, com a designação de Ordem das Damas Nobres de Santa Isabel, cujos estatutos foram confirmados pelo alvará de 25 de Abril de 1804.



Escrito por Marcelo às 17h50
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Dona Leopoldina de Habsburgo, Arquiduquesa da Áustria, 1a Imperatriz do Brasil



Escrito por Marcelo às 17h00
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Dona Leopoldina de Habsburgo 1a Imperatriz do Brasil - Parte Final

Com a eminência uma guerra civil que pretendia separar a Província de São Paulo do resto do Brasil,   D. Pedro passou o poder à Dona Leopoldina no dia 13 de Agosto de 1822, nomeando-a chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina do Brasil, com todos os poderes legais para governar o país durante a sua  ausência  e partiu  para apaziguar São Paulo.  Neste ínterim,   a Princesa Regente recebeu notícias que Portugal estava  preparando uma ação  contra o Brasil  e, sem tempo para aguardar à chegada de D. Pedro,   Dona Leopoldina, aconselhada pelo Ministro das Relações Exteriores José Bonifácio e usando de seus atributos de chefe interino do governo, reuniu-se na manhã de 2 de Setembro de 1822 com o Conselho de Estado, assinando o decreto da Independência, declarando o Brasil separado de Portugal. 

José Bonifácio convocou o oficial de sua confiança, Paulo Bregaro, para levar a sua carta e a de Dona Leopoldina para D. Pedro em São Paulo. Bregaro encontrou-se com o Príncipe Dom Pedro e a sua comitiva nas margens do riacho Ipiranga no dia sete. Ao ler as cartas sobre os acontecidos no Rio, D. Pedro, referendando a medida tomada pela Princesa Regente, proclamou a Independência do Brasil. 

Enquanto se aguardava o retorno de D. Pedro ao Rio, a Princesa Dona Leopoldina, já como a primeira governante interina do Brasil Independente, idealizou a bandeira do Brasil. O verde, cor heráldica da Casa Real Portuguesa de Bragança; o amarelo, cor da Casa Imperial Austríaca de Habsburgo, com um losango contendo o brasão monárquico, com as armas imperiais aplicadas representando uma homenagem de D. Pedro I a Napoleão Bonaparte.

A Princesa Dona Leopoldina assinou o decreto da Independência, separando o Brasil de Portugal em 02.09.1822. Temendo uma repercussão negativa, por ela ser austríaca, José Bonifácio aconselhou-a a deixar o anúncio do decreto assinado (a proclamação) a cargo de D. Pedro. 

D. Pedro proclamou em 07.09.1822 o decreto da Independência assinada pela Princesa Regente. Ele estava licenciado, sem condições legais para assinar decretos, mas pôde proclamá-lo, a pedido de Leopoldina e José Bonifácio. 

Leis ou decretos só valem depois de suas proclamações, ou seja: depois de anunciadas em público e em voz alta, publicadas em cartazes expostos ao público ou no Diário Oficial, como são feitas atualmente. 

De 13.08.1822 a 02.09.1822,  Dona Leopoldina governa o Brasil como Princesa Regente interina do  Reino Unido durante a viagem de D. Pedro a São Paulo. 

De 02.09.1822 a 12.09.1822,  Ela assume o cargo de governante interina do Brasil Independente até a volta de D. Pedro ao Rio. 

No 11 de dezembro de 1826, Palácio de São Cristóvão, Rio de Janeiro, a jovem Imperatriz de 29 anos, em meio à febre e delírios se despede da vida. Morria chorando o amor que outra mulher lhe roubara. “O meu Pedro, o meu querido Pedro”. Eram os últimos momentos de   D. Leopoldina, primeira imperatriz do Brasil. Figura sempre esquecida pela maior parte dos historiadores que quase não fazem menção a sua participação no momento de emancipação política brasileiro. Mulher de educação esmerada, à frente de seu tempo. Interessava-se especialmente por botânica e mineralogia. Sua delicadeza e o fino trato com as pessoas fizeram dessa mulher uma das personagens mais queridas do Brasil  no início do século XIX.



Escrito por Marcelo às 19h47
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Dona Leopoldina de Habsburgo 1a Imperatriz do Brasil - Parte 1

Nascia a Arquiduquesa Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda Beatriz de Habsburgo-Lorena (no Brasil iria adotar os nomes de Leopoldina e Maria Leopoldina) no  Palácio de Schünbrunn, Áustria, em de 22 de Janeiro de 1797. Sexta filha do segundo samento de  Francisco I imperador da Áustria e II da Alemanha (1768-1835) com Maria Teresa de Bourbon-Sicília (1772-1807). Seus pais eram primos-irmãos, ambos netos de Maria Teresa, a Grande (1717-1780), uma das maiores estadistas do século XVIII.

Leopoldina cresceu junto com os irmãos, quase isolados do mundo. Possuíam diversos professores. Controlava, todavia, a própria imperatriz todas as lições dos filhos. Sua educação foi primorosa. Normalmente, não se exigia muito das princesas, bastava ensinar-lhes a costurar e bordar, além, claro, de boas maneiras e algumas aulas de piano. Mas não na casa dos Habsburgos. Ali, as mulheres tinham um nível cultural altíssimo. Desde pequena, Leopoldina foi submetida a um programa intensivo de aulas diárias, adquirindo conhecimentos científicos, políticos, históricos e artísticos, além de aprender idiomas estrangeiros, especialmente o francês.

Mais duas perdas fariam a tristeza de Leopoldina, essas não por morte, mas por casamentos. Suas irmãs prediletas Maria Luísa (1791-1874),   e Maria Clementina (1798-1881) estavam deixando a pátria para se casarem pelo bem da Casa dos Habsburgos no trono da Áustria. A primeira cumpria uma difícil missão, casar com o inimigo número 1 do trono austríaco,    Napoleão Bonaparte (1768-1835). O imperador francês ameaçava a Áustria caso não lhe dessem a  Arquiduquesa Maria Luísa em casamento. O imperador Francisco relutava, mas para o bem geral da nação concordou com o casamento. Só a avó materna da princesa, a rainha Maria Carolina das Duas Sicílias, resmungou com a atitude do genro: “É justamente o que me faltava, tornar-me agora ainda avó do diabo”. Já sua irmã Clementina teve que desposar seu tio Leopoldo das Duas Sicílias. Leopoldina estava contente por não haver sido preferida pelo tio, “que sofria extraordinariamente do defeito da grosseria”: Embora ainda permanecesse solteira e fosse a filha predileta de Francisco I, Leopoldina  tinha a noção de que um dia cumpriria o dever de qualquer princesa da época, fazer um casamento dinástico, conforme o interesse do Estado. No final de 1816, começaram as negociações de seu casamento com o príncipe herdeiro do trono português Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Filho de D. João VI (1767-1826) e Carlota Joaquina de Bourbon (1775-1830).  Pedro nasceu em Portugal no dia 12 de outubro de 1798, mudou-se com a família real para o Brasil, em 1808, aos 9 anos de idade.

Em maio de 1817, celebrou-se o casamento por procuração, como era de costume e somente depois de alguns adiamentos, vários meses transcorridos, em dezembro chegava D. Leopoldina ao Brasil. Encontrou na corte uma situação adversa à de Viena. Para quem fora criada no Palácio de Schünbrunn, São Cristóvão onde passou a morar, era um castelo de horrores, uma construção árida, cercada por lamaçal, montes de esterco e brigas entre alforriados e escravos. A vida  do ponto de vista moral era solta. Havia pouco lugar para distrações e divertimentos alegres e ingênuos aos quais a arquiduquesa estava tão acostumada na casa paterna.

Em nove anos de casamento ficaria  D.   Leopoldina  grávida nove vezes: dois abortos e sete filhos: Maria da Glória (1819-1853) (Maria II, rainha de Portugal), casada respectivamente com os príncipes Augusto de Leuchtenberg e Fernando de Saxe-Goburgo-Ghota; Miguel (1820, falecido logo após o nascimento); João Carlos (1821-1822); Januária (1822-1897), casada com o príncipe Luís de Bourbon das Duas Sicílias, Conde de Áquila; Paula Mariana (1823-1833) Francisca Carolina (1824-1898), casada com o príncipe Francisco de Orleans da França, Príncipe de Joinville; Pedro de Alcântara (1825-1891) (Pedro II Imperador do Brasil), casado com Teresa Cristina de Bourbon, princesa das Duas Sicílias.

Dona Leopoldina teve um papel decisivo na nossa independência. Em Agosto de 1822, os brasileiros já estavam cientes que Portugal pretendia chamar Dom Pedro de volta, rebaixando o Brasil, de Reino Unido para voltar a ser uma simples colônia. 



Escrito por Marcelo às 19h45
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Fotografia executada em Coburgo, da 3a Imperatriz do Brasil Dona Tertesa Cristina de Bourbon, esposa do Imperador Dom Pedro II.



Escrito por Marcelo às 17h58
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Imperatriz Dona Amélia de Leuchtenberg e a Princesa Dona Maria Amélia

 

              S. M. I. Dona. Amélia Imperatriz do Brasil e Duquesa de Bragança e S. A. I. a Princesa Dona Maria Amélia

Litografia de Ignaz Fertig (1809-1858), segundo pintura de Frederico Durck (1809-1884), executada no estabelecimento de Piloty E Leohle, em Munique.0,505 x 0,373 m



Escrito por Marcelo às 17h43
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Dona Amélia de Leuchtenberg - 2a Imperatriz do Brasil

A Princesa Amélia nasceu em Munique, a 31 de Julho de 1812, recebendo na pia batismal os nomes de Dona Maria Amélia Augusta Eugenia Napoleão Beauharnais, e faleceu em Lisboa, no palácio das Janelas Verdes, em 26 de Janeiro de 1873. Era a terceira filha do príncipe Eugenio Beauharnais, duque de Leuchtenberg e príncipe d'Eichsted e Santa Cruz, e da princesa D. Augusta Amália, filha de Maximiliano, rei da Baviera. 

Após a morte da Imperatriz Dona Leopoldina, Dom Pedro I mandou para a Europa como emissário especial, o Marques de Barbacena para uma difícil missão: arrumar-lhe uma nova esposa. Ela teria que ser de uma alta linhagem, ser bonita, educada e jovem. Mas o Marquês logrou êxito de sua missão com a aceitação de uma linda princesa da Bavária de 17 anos. Ela tinha todas as qualidades exigidas por Dom Pedro I. Além de ser neta do rei da Bavária pelo lado materno, era neta pelo lado paterna da Imperatriz Josephine primeira esposa de Napoleão. Seu pai era o conde de Leuchtenberg, Eugenio de Beauharnais,   filho adotivo de Napoleão Bonaparte.

O marques de Barbacena, com sua comitiva, a princesa Amélia e seu irmão Augusto de 19 anos viajaram por terra de Munique até o litoral da Bélgica, lá tomando a fragata Imperatriz  comandado pelo Vice Almirante brasileiro, Conde de Souzel. A fragata dirigiu-se inicialmente para Portsmouth na Inglaterra para pegar a filha de Dom Pedro I, Dona Maria da Glória, com 10 anos, que se encontrava na Europa para estudos. Após uma longa viagem sem incidentes, a fragata aportou no Rio de Janeiro no dia 16 de Outubro de 1829. No dia 17 o casal recebeu as benções núpcias da igreja e Amélia tornou-se a segunda imperatriz do Brasil. Para comemorar este fato foi criada a comenda Ordem da Rosa para condecorar militares e civis.

Foi uma das senhoras mais formosas do seu tempo, e quando em 2 de Agosto de 1829 casou com o imperador Dom Pedro I, o esplendor da sua beleza causou um verdadeiro deslumbramento na corte do Rio de Janeiro. A imperatriz era muito caritativa e esmoler. Tanto em Portugal como no Brasil, os desvalidos da fortuna achavam sempre socorro na bondosa senhora; por isso quando abandonou o Rio de Janeiro para seguir à Europa Dom Pedro I, depois de ter abdicado em seu filho Dom Pedro II, a saudade que deixou em todos os seus súbditos foi profunda e dolorosa. Como duquesa de Bragança, por seu marido ter adotado este titulo, foi com sua enteada, à rainha D. Maria II, ainda infantil, viver no exílio, enquanto D. Pedro andava de triunfo em triunfo, na renhida e arriscada luta em que se empenhou, através de mil privações e desgostos, para segurar os direitos de sua filha. Foi em França que nasceu sua única filha, a princesa D. Maria Amélia.

 Em 1833, depois do glorioso dia 24 de Julho, em que as tropas do duque da Terceira entraram em Lisboa, D. Pedro mandou vir para a capital sua esposa e filhas, que desembarcaram a 22 de Setembro desse ano. Terminando a campanha da Liberdade e tendo regressado do exílio, parece que a bondosa imperatriz voltaria ás alegrias dos primeiros anos, mas os desgostos foram-se sucedendo, que tanto lhe amarguraram a vida. Em 24 de Setembro de 1834 falecia no verdor dos anos, quase repentinamente, seu marido o duque de Bragança; seis meses depois morria seu irmão, o príncipe Augusto de Leuchtenberg, que deixava viúva à rainha de Portugal, com quem havia casado dois meses antes. Em 1838 a imperatriz foi à Baviera visitar sua mãe, a duquesa de Leuchtenberg, desejando educar naquela corte a princesa sua filha. Demorou-se até 1850, e durante estes anos esteve também em Inglaterra, Rússia, Saxônia, indo igualmente visitar a rainha da Suécia, sua irmã. Pouco depois de ter regressado a Lisboa, adoeceu a princesa, que veio a falecer no Funchal, para onde fora procurar alívios por conselho dos médicos. No dia 04 de Fevereiro de 1854 morre vítima de tuberculose a sua filha, a princesa Dona Maria Amélia com 23 anos. Ela estava noiva do príncipe Maximiliano Habsburg, sobrinho da imperatriz Dona Leopoldina; nesse mesmo ano, em Novembro, falecia também sua enteada, a rainha Dona Maria II. A implacável morte ainda lhe trouxe mais amargurados desgostos: em Julho de 1859 sucumbia a rainha Dona Estefânia, pouco mais de um ano de casamento com o Rei de Portugal Dom Pedro V, e em 1861 falecia este monarca e os seus irmãos Dom Fernando e Dom João. A imperatriz desde então vivia concentrada no seu palácio, entregando-se exclusivamente a práticas caridosas, mas estes dolorosos golpes ferindo-a no mais íntimo da alma, acabaram por agravar melindrosamente o seu estado de saúde, até que sucumbiu, no dia 26 de Janeiro de 1873, aos 61 anos, vítima duma lesão que começara a manifestar-se desde a morte do imperador Dom Pedro I. A imperatriz dava avultado número de esmolas e pensões; fundou na ilha da Madeira, no Funchal, um hospital para tuberculosos; protegeu desveladamente os asilos da infância desvalida, indo ela pessoalmente, enquanto os sofrimentos lho permitiram, indagar do aproveitamento das criancinhas anima-las e socorre-las. Por sua morte, além destas, muitas outras instituições foram contempladas. 



Escrito por Marcelo às 17h05
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Dona Teresa Cristina - 3a Imperatriz do Brasil

"Mãe de Todos os Brasileiros" - Foi esse o título que muito justamente se atribuiu à Imperatriz Dona Teresa Cristina, nascida Princesa Bourbon das Duas Sicílias. A jovem Princesa, originaria de Nápoles, para aqui veio por razões de Estado, afim de ser esposa de nosso Imperador, Dom Pedro II. Soube transformar essa união num laço de afeto, que projetou discreta mas profundamente por todo o Brasil, o qual por sua vez, a devotou sentimentos de reverência, estima e ternura.

A existência da Princesa Dona Teresa Cristina, é segundo as acertadas palavras de Lygia Fernandes da Cunha "a história de uma Princesa não favorecida de encantos físicos, mas em compensação dotada de todas as virtudes morais que até hoje nela admiramos e que são o apanágio das mulheres honestas".

Filha do Príncipe Francisco de Bourbon, herdeiro do Reino das Duas Sicílias, mais tarde Rei Francisco I, e de Maria Isabella de Bourbon, Infanta de Espanha, teve uma educação esmerada: belas artes, música, canto, bordado, francês e religião. De natureza sensível e inclinada naturalmente ao culto da arte, foi educada e instruída pelo preceptor Monsenhor Olivieri. A 20 de maio de 1842, foi assinado, em Viena o contrato de casamento entre a Princesa Teresa Cristina e o Imperador do Brasil, Dom Pedro II. O matrimônio foi celebrado por procuração em Nápoles, em 30 de maio de 1843. Nesse mesmo ano, S.M.I. o Imperador Dom Pedro II enviou a Nápoles uma frota que deveria trazer a Princesa Dona Teresa Cristina. Esta veio acompanhada pelo irmão o Príncipe Luiz Bourbon-Sícílias, Conde de Áquila que se casaria com a Princesa Dona Januária irmã do Imperador Dom Pedro II.

Durante a viagem um gesto de afabilidade da Princesa Dona Teresa Cristina revela bem seu caráter, além de acompanhar com desvelo um doente, quis que, a cada dia um dos navios da frota destacasse um de seus oficiais para jantar com ela. A 04 de setembro de 1843, a Princesa Dona Teresa Cristina desembarcava na cidade do Rio de Janeiro que acolheria por 46 anos, para casar-se no mesmo dia com S.M.I. o Imperador Dom Pedro II que a esperava no porto. Dom Pedro II viu descer do navio uma Princesa de traços comuns, e andando com dificuldade, sabia não ter atrativos, tímida, e com rosto triste, não correspondia à descrição que dela tinham feito. Faltava-lhe beleza, mas sobrava-lhe candura e bondade de caráter.

Quando Dona Teresa Cristina se casou com S.M.I. o Imperador Dom Pedro II não trouxe apenas a sua sensibilidade artística, mas também intelectuais, artesãos, artistas, cientistas, enfim muitas pessoas de cultura e uma quantidade inumerável de obras, coleções de documentos preciosos que constituem um patrimônio cultural inestimável.

Compartilhava S.M.I. a Imperatriz Dona Teresa Cristina com S.M.I. o Imperador Dom Pedro II o gosto pelas artes, sobretudo a música, e foi por influência sua que Carlos Gomes estudou na Itália. A serenidade com que Dona Teresa Cristina assumiu seu dever de estado, tanto como esposa e mãe, quanto como Imperatriz impressionava vivamente ao se analisar seu perfil moral. Apesar de se dedicar com desvelo à família, acompanhava com atenção os acontecimentos políticos nacionais e internacionais, especialmente os que comportavam algum reflexo para o Império. Os bilhetes afetuosos que escrevia ao seu esposo, o Imperador Dom Pedro II, quando este se ausentava fazem ver o perfeito entendimento em que viviam. Como esposa exemplar soube pautar sua vida pela do Imperador, e ser seu sustentáculo em todas as ocasiões, inclusive acompanhando-o em muitas de suas viagens no Brasil e no exterior. Ela foi, podemos dizer, "o anjo inspirador de Dom Pedro II" , de sua doçura, da alegria de seu caráter, da pureza de seu sentimento cristão; o Imperador Dom Pedro II recebeu o estímulo para os mais elevados gestos de sua nobre vida. Foi S.M.I. a Imperatriz Dona Teresa Cristina companheira assídua e afetuosa do grande soberano.

A Imperatriz deu à luz a quatro filhos; dois meninos o Príncipe Dom Afonso e o Príncipe Dom Pedro e as meninas a Princesa Dona Isabel e a Princesa Dona Leopoldina. A perda dos dois filhos homens, um deles primogênito e herdeiro, a preocupação com as duas filhas, a doença do Imperador, as crises políticas e as guerra não abalaram nunca a serenidade da Imperatriz, só a proclamação da república, o desmoronamento do Império e o duro destino do exílio foram superiores à força de seu coração. "Mas o que fizemos para sermos tratados como criminosos" perguntava a Imperatriz ao Conde de Weisersheimb embaixador da Áustria no Brasil na viagem rumo ao exílio. Poucos dias após sua chegada a Portugal, em 28 de dezembro de 1889, falecia a Imperatriz Dona Teresa Cristina; "Mãe de todos os brasileiros..."



Escrito por Marcelo às 14h03
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EXÍLIO E MORTE DO IMPERADOR DOM PEDRO II

No momento de embarcar para a travessia do Atlântico a bordo do Alagoas, o Imperador Dom Pedro II chegou a receber um convite de seu sobrinho, Dom Carlos I, Rei de Portugal, o qual punha à sua disposição, para futura residência da Família Imperial Brasileira, um de seus palácios em Lisboa. Dom Pedro declinou gentilmente do convite, que fora trazido pelo embaixador português no Rio de Janeiro. Pouco antes, ele havia também recusado uma oferta igual feita pelo embaixador da Áustria, em nome de seu primo o Imperador Francisco José I. Na realidade Dom Pedro não queria passar seus dias de exílio nem em Lisboa nem tampouco em Viena, e sim em Paris, uma cidade pela qual ele nutria verdadeira adoração.

Em 1890, o Hotel Bedford não era o maior nem o mais luxuoso de Paris, suas instalações embora modestas, ofereciam um recanto sossegado e confortável, bem adequado a uma pessoa de idade, mas jamais a um ex-imperador. Essas condições atraíram Dom Pedro de Alcântara, de 65 anos, que desejava estabelecer residência na França, onde acabara de chegar.

Alugou um quarto e, quando não recebia visitas, passava os dias lendo e estudando. Nas vezes em que saía, apoiado numa pequena bengala para vencer a escada do hotel, procurava as associações científicas ou literárias. Há pouco tempo viúvo, com sua filha a Princesa Isabel casada e netos morando em Eu, pretendia desfrutar o doce lazer da velhice em meio aos seus fiéis companheiros, os livros.

Com o tempo, acostumando-se à cidade, adquiriu um hábito, saía do hotel e tomava um coche alugado, deixando-se levar pelas alamedas arborizadas, ouvindo o ruído das patas de cavalo no cascalho do calçamento, até próximo à universidade. Ali ficava a Biblioteca Nacional Mazarino, que se tornou seu refúgio predileto. Passava horas agradáveis lendo e tomando notas. Só a primeira vez teve problema, quando precisou preencher uma ficha para retirar livros. Nela devia declarar nome e profissão, mas seu nome, comprido demais, não cabia na pequena ficha. Quanto a profissão era difícil explicá-la.

Afora esse incidente, passou mais de um ano como frequentador da biblioteca, sem que nada interrompesse suas tardes de leitura. Os funcionários habituaram-se à sua presença e o cumprimentavam com amabilidade.

Em novembro de 1981, uma ferida no pé fez com que Dom Pedro não pudesse mais sair de casa. Pouco depois sobreveio uma pneumonia, e a 05 de dezembro de 1891 aos 66 anos de idade veio a falecer de insuficiência respiratória. Na biblioteca, as pessoas se perguntavam que fim teria levado aquele simpático e amável velhinho. Do outro lado do Atlântico, no Brasil, os jornais estampavam em manchete fúnebre: "Faleceu em Paris o ex-imperador Dom Pedro II". Nas últimas notas que escreveu estava uma frase de Victor Hugo: "Há momentos em que, qualquer que seja a posição do corpo, a alma está de joelhos". Sob sua cabeça foi colocado um pequeno travesseiro contendo terra do Brasil, que ele levara para repousar quando viesse a falecer, já que o governo republicano não permitiria seu enterro no Brasil.



Escrito por Marcelo às 14h00
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PRINCESA IMPERIAL DONA ISABEL - PARTE FINAL

A ausência de filhos do casal preocupava a todos. Engravidara a Princesa durante a sua terceira viagem à Europa. mas somente no 6 mês de gravidez ponderou sobre a dificuldade de retornar ao Brasil para que aqui nascesse o seu herdeiro. como regia o Contrato Matrimonial. Embarcando dois meses depois, após uma viagem penosa, nascia-lhe morta uma menina aos 28 de julho de 1874, no Paço Isabel. Finalmente em 15 de outubro de 1875, quando comemoravam onze anos de casados, nascia no Palácio Princesa Isabel, em Petrópolis, o herdeiro, recebendo o nome de Pedro de Alcântara, e o título de Grão-Pará, que competia ao primogênito do Príncipe Imperial. No Palácio Imperial de Petrópolis, em 26 de janeiro de 1878, nascia o segundo filho da Princesa, Dom Luís Maria e a 9 de agosto de 1881, em função de uma demorada viagem à Europa, nascia o terceiro filho, Dom Antônio, no Palácio alugado da Rua de La Faisanderie, 27, Passy, Paris.

A 30 de junho de 1887. com a partida do Imperador para a Europa, em tratamento de saúde. começava a 3a Regência e a 3a fase política da vida da Princesa. A escravidão estava de tal maneira presente na vida do Império que várias tentativas visando aboli-la acabavam esbarrando no conservadorismo dos fazendeiros e proprietários, mesmo entre os liberais. As relações entre a Regente e o Ministério de Cotegipe eram tensas, embora aparentassem ser cordiais, Enquanto a Princesa aliava-se ao movimento popular, o Ministério de Cotegipe defendia a manutenção da escravidão. Aproveitando-se da oportunidade oferecida por um incidente de rua, a Princesa substitui o Gabinete. O novo ministério. conhecido como o Gabinete da Abolição, tinha a frente o Conselheiro João Alfredo, a quem a Princesa sugeriu na Fala do Trono que se fizesse o quanto antes a abolição da escravatura.

A 13 de maio, um domingo, seriam as últimas votações e a Princesa. certa da vitória, descia de Petrópolis para aguardar no Paço da Cidade o momento de assinar a Lei Aurea. Na euforia e no entusiasmo pelo seu dia de glória, só ouvia a Princesa os louvores e os aplausos - Viva Isabel I. Coroando a atitude da "Redentora" faltava a henção da Igreja, com a Rosa de Ouro. concedida à Princesa pelo Papa Leão XIII, em 28 de setembro de 1888.

Era Grã-Cruz da Ordem Imperial do Cruzeiro, de Pedro I, Fundador do Império do Brasil, da Rosa, de Santiago da Espada de São Bento de Avis e de N.S. Jesus Cristo reformadas estas últimas no Brasil; também lhe foram concedidas a Ordem de Santa Isabel, de Portugal, a da Cruz Estrelada, da Áustria, e a das Damas Nobres de Maria Luísa, da Espanha.

Com a Proclamação da República, embarca a Família Imperial para o exílio na Europa. A velhice transcorreu tranquila e calma para a Princesa Isabel. Rodeada do marido e dos a amavam e que ela os amavam - e dos filhos (dois dos quais levados pelas conseqüências da Primeira Guerra Mundial) e por seus netos, que passaram a constituir o seu encantamento. Nos últimos anos, com dificuldade para se locomover, era empurrada numa grande cadeira de rodas pelos corredores e salões do castelo d’Eu, e a 14 de novembro de 1921, fechava para sempre "aqueles Olhos cheios de lembranças do Brasil". Seu corpo foi levado para o Panteão dos Orléans em Dreux, tendo sido também ali depositado o de seu marido. Trasladados para o Brasil a bordo do cruzador Barroso, chegaram ao Rio de Janeiro no dia 7 de julho de 1953 onde permaneceram até 12 de maio de 1971, quando vieram para ser sepultados na cripta da Catedral de Petrópolis.

Maria Antonieta Ahrcu da Silva Chefe do Setor de MuseoIogia do Museu Imperial de Petrópolis (Texto baseado na obra de Luii Lourenço Lacombe. Isabel: A Princesa Redentora



Escrito por Marcelo às 13h50
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PRINCESA IMPERIAL DONA ISABEL - PARTE 1

Às 6:26 horas da tarde do dia 29 de julho de 1846 nascia a Princesa Isabel. segunda filha do Imperador Dom Pedro II, assistida pelo Dr. Cândido Borges Monteiro, no Paço de São Cristóvão, Rio de Janeiro. Batizada na capela Imperial no dia 15 de novembro daquele ano pelo Bispo Capelão-Mor. Conde de Irajá. recebeu o pomposo nome Isabel Cristina Leopoldina Augusta. Isabel, por causa da avó materna, Rainha de Nápoles; Cristina, que lembraria sua mãe, a Imperatriz Dona Tereza Cristina; Leopoldina. em homenagem a sua avó paterna, a primeira Imperatriz do Brasil e Augusta como premonição do futuro que a aguardava. A esses nomes acrescentaram-lhe os tradicionais dos príncipes de Bragança: Micaela, Gabriela, Rafaela Gonzaga.

Com a morte de seu irmão mais velho, o Príncipe Dom Afonso, tornava-se, aos onze meses de idade, herdeira do trono e sucessora de seu pai. Neste mesmo ano de 1847 nasceria a 13 de julho a sua companheira de toda a mocidade, a Princesa Leopoldina, sua irmã.

Em 1848 nasceu o seu segundo irmão varão, o Príncipe Dom Pedro, que veio a falecer dois anos depois. Para herdar o trono fundado por Dom Pedro I , restava uma frágil princesa de quatro anos de idade que seria, daí em diante, a Princesa Imperial. O reconhecido oficial como sucessora de seu pai teve lugar a 10 de agosto de 1850 , quando a Assembléia Geral, reunida no Paço do Senado às 11 horas da manhã, proclamou-a Herdeira do Trono na forma dos Artigos 116 e 117 da Constituição do 1mpério.

A 29 de julho de 1860 completava D. Isabel seus 14 anos e, de acordo com o Artigo 106 da Constituição, deveria prestar o juramento por esta determinado de "manter a religião católica apostólica a romana, observar a Constituição política da nação brasileira e ser obediente às leis e ao imperador.

A fim de prepará-la para o papel que lhe estava reservado, começou Dom Pedro II a preocupar-se com a formação da futura Imperatriz. Desde cedo, porém. o Imperador iniciou entendimentos para dar às filhas uma preceptora. Por indicação da Princesa de Joinville a escolhida foi Dona Luisa Margarida Portugal de Barros, filha do diplomata Domingo Borges de Barros. Visconde de Pedra Branca. casada com o fidalgo francês Visconde de Barrai. A futura Condessa de Barral iniciou suas funções em setembro de 1865.

Para a instrução da Princesa Isabel e da sua irmã, diversos mestres foram então designados. Lendo seus programas de estudo, tão repletos de aulas e obrigações, pode-se imaginar que a Princesa Isabel teve uma infância diferente das crianças de seu tempo. Contudo, teve certamente suas horas de brincadeiras, principalmente em Petrópolis. onde em seu diário ela diz: "Petrópolis, residência de verão, residência deliciosa: jardins floridos canais cortando a cidade... "ou ainda mais adiante "Eu fui de Petrópolis a pé até a cascata de Tamarati, a mana andou tão pouco a cavalo". Em São Cristóvão, para amenizar o ambiente tão carregado de estudos e deveres, pequenas peças teatrais eram levadas à cena e as princesas desempenhavam os principais papéis na companhia dos amigos de infância.

Em todos os tempos e lugares os casamentos de príncipes são motivo para as mais desencontradas opiniões e comentários. Era natural que o governo e o povo dessem a maior importância ao casamento da Princesa Isabel, dedicando-lhe toda a atenção. Cabia ao ministério movimentar a máquina diplomática para localizar um Príncipe Consorte. Depois de enorme correspondência trocada com a nobreza européia é a própria Princesa quem escolhe o seu Príncipe, Luís Gastão de Orléans, o Conde d’Eu. Em 18 de setembro de 1864 o príncipe francês pede a mão da herdeira do Império do Brasil. O casamento teve lugar na Capela Imperial, no Rio de Janeiro, a 15 de outubro daquele ano. No mesmo dia os noivos partem para a lua de mel em Petrópolis, e em 10 de janeiro de 1865 seguem viagem para a Europa onde a Princesa conheceu então os pais de seu marido. Com o fim da Guerra do Paraguai o casal faz nova viagem à Europa. desta vez para visitar a Princesa Leopoldina que se encontrava doente. Sofrendo de tifo, a única irmã da Princesa Isabel veio a falecer em 7 de fevereiro de 1871. Neste mesmo ano. D. Pedro II faz sua primeira viagem à Europa. Deixando, pela primeira vez, a Princesa Isabel como Regente do Império. Neste interim, é assinada a 28 de setembro a Lei do Ventre Livre.

Por três ocasiões em razão das viagens de Dom Pedro II ao exterior, foi Regente do Império: da primeira, de 25 de maio de 1871 a 31 de março de 1872; da segunda, de 26 de março de 1876 a 25 de setembro de 1877- e finalmente, de 30 de junho de 1887 a 22 de agosto de 1888, ano em que, usando das prerrogativas de Princesa Imperial Regente, sancionou, em 13 de maio, a LEI ÁUREA, extinguindo a escravidão, o que levou S.S. o Papa Leão XIII a conferir-lhe a Rosa de Ouro.



Escrito por Marcelo às 13h48
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A Princesa Isabel e seu esposo o Príncipe Gastão de Orleans (Conde d’Eu), recém casados em 1864.



Escrito por Marcelo às 19h35
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Fotografia do Conde d'Eu, 1870.



Escrito por Marcelo às 19h14
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Fotografia do Conde d'Eu com o Príncipe do Grão-Pará, Dom Pedro Alcântara, a Princesa Isabel abraçada com o Príncipe Dom Antônio e de pé o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança.



Escrito por Marcelo às 18h38
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Fotografia da Princesa Imperial Dona Isabel e sua irmã a Princesa Dona Leopoldina, (filhas do Imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Dona Tereza Cristina).



Escrito por Marcelo às 18h20
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Fotografia da Princesa Imperial Dona Isabel

Princesa Imperial Dona Isabel, a princesa tornou-se Imperatriz de Jure do Brasil, em 1891, após o falecimento de seu pai o Imperador Dom Pedro II. Foto tirada no exílio, Castelo de Eu, s/ data.



Escrito por Marcelo às 18h17
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